Calendário do Cantinho da Prosa

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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Nicholas Winton - Herói silencioso.

Sir Nicholas Winton (19 de maio de 1909) é um britânico que organizou o resgate de 669 crianças judias na antiga Tchecoslováquia, salvando-as da morte certa nos campos de concentração nazistas antes do início da Segunda Guerra Mundial.

Comovente matéria exibida no programa Fantástico em 23/12/2007.

Veja o encontro dele com os sobreviventes, no ano de 2002:




quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Bear - Filme de Jean-Jacques Annaud


O URSO - Filme de Jean Jacques Annaud

Uma luta incansável pela sobrevivência, até nos derradeiros minutos, quando a luta está quase perdida, ouve-se o doloroso clamor em forma de uivo, o desesperado chamamento pela mãe.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

E por falar em animais...

Veja que interessante essa brincadeira que feita com um carrinho de controle remoto:






Aqui também temos jazz para as vacas:




Mas não é só o jazz que as vacas apreciam:




E agora este engraçado vídeo de um bale das vacas:





Jazz para o gado



Enquanto isso na França este grupo de jazz acalma o rebanho com música ao vivo de boa qualidade.




Site da Banda

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

The Secret by Ine Braat and Suely Hinds - O MILAGRE DA VIDA E DO AMOR

Videos de amor feitos com primor por Ine Braat e Suely Hinds.


O MILAGRE DA VIDA



Vejo uma primavera de brotos, onde as sementes eclodem para levar à luz um novo ser. De raízes sempre firmes e profundas, o que antes era um desejo, agora  um raio de vida que anuncia novo caminho. Este vídeo de muita sensibilidade leva as mulheres a um maior, se é que é possível, amor ao ato da maternidade.


Ine Braat e Suely Hinds têm outros videos de igual qualidade e importância para configurar a beleza da maternidade, a beleza da vida.




This Video is composed of images, movie and a wonderful poem By Alan Harris.
With the marvelous music by Ennio Morricone, maybe it will touch your heart too, like ours...
With love, Ine & Sue


E ainda há outros, todos com amor. 
Este abaixo onde é retratado de maneira emocionante o amor da sobrevivente do Titanic, com musica de Celine Dion:





O amor sempre está presente nesse trabalho bem feito de Ine Braat e Suley Hinds. Veja Em lugar do Passado  no video abaixo:

"Somewhere in Time", a film of 1980, is adapted from the 1975 novel Bid Time Return by science fiction writer Richard Matheson, which was subsequently re-released under the film's title. The film is famous for its beautiful musical score, composed by John Barry (which surprisingly was not nominated for an Oscar for Best Score), and often played on the piano by piano students. In addition to Barry's score, the eighteenth variation of Sergei Rachmaninoff's Rhapsody on a Theme of Paganini runs throughout the film.



O amor, sempre o amor. Veja este com a Prece de um Cão, e foi feito para o Dia Internacional dos Animais 04 de Outubro:




Aqui está a tradução desta oração:

A Prece de um Cão"

Enquanto você estiver comigo
Minha vida é muito curta, cada ausência sua é para mim como uma espécie de castigo. Lembre-se disto antes de adquirir-me.
De-me tempo suficiente e a chance de entender o que você espera de mim.
Não fique zangado comigo por muito tempo, e não me catigue trancando-me. Você tem seu trabalho e seus amigos. Eu só tenho você...
Embora eu possa não entender sempre suas palavras, fale comigo.Apesar de tudo eu reconheço o som da voz de quem fala comigo.
Saiba que eu nunca esqueço nada: nem a pedra que que atiraram em mim e me feriu, nem a mão que um dia me afagou e foi boa para mim.
Se você estiver a ponto de me bater, lembre-se de que meus dentes também podem feri-lo,
Mas eu não os usarei jamais.
Não grite comigo, quando eu não conseguir ouvi-lo:
Pois pode ser que eu não ouça por não estar me sentindo bem, ou talvez eu esteja doente.
Durante o verão, quendo eu tiver que esperar por você dentro do carro
Coloque-me na sombre , mas lembre-se: o sol se move a as nuvens também se dissipam.
Quando eu envelhecer, dê-me um pouco mais de atenção.
Quando tivermos que viajar por uma Estrada mais difícil, venha comigo.
Não diga: Ah, não dá para levar junto!
Também não diga:Tem que ser DESTA maneira, na minha ausência.
Tudo é mais fácil para mim.
Desde de que você esteja comigo



Abaixo temos um surpreendente trabalho cujo texto dos autores temos traduzido. É impressionante como esses PPS tocam quem os vê:


Eu compartilho minha dor com muitas pessoas, através da emocionante apresentação deste vídeo PPS,e, em especial, com mulheres em todas as partes do mundo. Com as pessoas que irão reconhecer esta imensa dor.
Uma tristeza que se carrega pelo resto da vida. Na parte mais profunda de sua alma. Alimente com esperança suas memórias. Com amor, Ine.
The music is "Missing" by Vangelis.





Tadução:
Eu choro pelas flores quebradas ainda no botão
E que murcham ainda florescendo antes do amanhecer...
Eu choro por você...
Eu segurei um anjo...
As memórias que eu tenho de você, foi tudo o que eu deixei
Até que eu possa lhe segurar de novo algum dia no céu...
Você é tão pequena/o,
Inocente e doce...
Você nem tem nome...
Eu não sei
Se você é um menino o
Ou uma linda menina...
Você tem mãos e dedos...
Adorados pezinhos, com dez pequenos dedos...
E olhos que estão cerrados.
Incapaz de ver onde você está...
Você ainda ignora a dor da miséria e da tristeza...
O que é amar...
Ou saber o que é a solidão...
Você jamais conhecerá
A tristeza, o sofrimento aqui na Terra...
Mas também o amor e a tristeza
São arrebatados de você...
Mas eu queria que você soubesse
Que eu estou lhe enviando às nuvens...
Porque eu lhe amo tanto, tanto...





Abaixo temos o nascimento do elefante é um vídeo emocionante que gostaria de compartilhar.



terça-feira, 6 de setembro de 2011

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Última alegria - Ana Maria





Última alegria.
Ana Maria Maruggi

Era empacada e frágil, de sentimentos sóbrios, mas quietos. Ninguém sabia ao certo o que pensava, ou sentia. Sua aparência estável não denotava preocupação nem desordem. Dalva era um tipo estranho, tinha  o agudo silêncio como marca, o que distanciava as pessoas, a falta de sorriso e de sonhos que a tornava apática.  

Mas nem sempre foi assim. Quando menina falava pelos cotovelos, se metia em conversas alheias  palpitando em todo tipo de assunto. Mostrava-se presente e sorridente diante dos poucos amigos do pai.  Este, austero  de contornos impenetráveis, desaprovava a filha “entrona”, e a podava das atitudes que ele considerava “baixas”. Uma mulher tem que ser discreta - dizia ele - filhas têm que ter mãe para ensinar-lhes isso. 

A menina, órfã de mãe ao nascer foi criada pelo pai até os seis anos, e depois foi ficando com Dona Romilda Vasques, vizinha que possuía outros cinco filhos. Nesta nova família as regras eram muito rígidas. Tinha horário para tudo,  as tarefas da casa eram dividas e precisavam ser bem feitas, sob pena de ter que serem refeitas até que fossem aprovadas. Dalva tinha seu próprio quarto, limpo e bem arrumado. Seus cadernos eram vistoriados por Dona Romilda uma vez por semana, as lições de casa acompanhadas, e as brincadeiras livres, mas discretamente assistidas. Ela é uma boa mãe - pensava a menina.

Sua professora acompanhou a mudança de seu comportamento e aprovou a moça que Dalva estava se tornando. Era estudiosa, e responsável. Dificilmente era vista em grupinhos, e mantinha distancia de pessoas preguiçosas. Era de uma beleza exótica, olhos grandes amendoados, pele negra e lábios bem formados. Sorria pouco, falava baixo,  e continha gestos. Era quase elegante seu modo de ser. 

Beijava Dona Romilda antes de sair e ao voltar da escola. Mesmo na adolescência, Dalva não tinha a explosão dos jovens, era moderada e de pouca fala. Rezava durante as refeições e agradecia pela saúde do pai, e  da mulher que a acolhera. 

Casou-se bem jovem com Domingos, amigo da família Vasques. Ele mais velho,  proprietário de um negócio de ferramentas que herdou do avô. Homem sério e de pouca lenga, trabalhando duro de domingo à domingo,  viu em Dalva a esposa perfeita para um homem maduro e solitário. No convívio conjugal Domingos era possessivo e patriarcal, não permitindo à esposa que opinasse ou tomasse atitude por sua conta própria. Dalva aceitava essa condição, e sentia-se feliz à sua maneira. Ou não.

E foi assim que aos poucos a mulher foi se tornando circunspecta.  Não era infeliz, apenas apática sem expressão diante da alegria, do espanto ou da tristeza. Tudo via e nada dizia. Tudo ouvia e nada fazia. Às vezes era como se ela nem existisse.

Deus lhe deu dois filhos: Gilberto e Glória, nomes escolhidos por Dona Romilda, a avó torta. Mãe extremamente cuidadosa ensinou às crianças as regras da vida e da convivência que aprendera desde a infância, enquanto o marido lhe calava a boca mais e mais a cada dia. Ela consentia rija, apenas calando e nada mais. Domingos ia envelhecendo depressa enquanto Dalva ainda tinha raízes firmes no quase sensual rosto maduro. Gilberto casou-se com Fernanda, uma bela amiga da faculdade de engenharia, e passaram a trabalhar juntos em empresa própria. Gloria que se tornou professora, casou-se com  o advogado Marcelo, à contragosto de Seu Domingos, que via no genro um homem sem modos e desrespeitoso. 

A mulher calada se fechava sem participar de sorrisos, nem de lágrimas. Sentia a filha desenxabida dando desculpas esfarrapadas sobre as ausências do marido aos encontros familiares, mas Dalva não se metia em nada.  Uma estátua que se movia pela casa, parecia.  No começo isso assustava quem não a conhecia, mas logo aprendiam a ignorá-la, como faziam todos.

Num daqueles silenciosos almoços dominicais em família, Gloria disse  que Dalva era o nome de uma estrela, a primeira estrela que aparecia no céu todas as noites e que a tudo assistia até que a noite acabasse. Era assim mesmo que a mulher se sentia, uma estrela que a tudo assistia, e não podia nada dizer, uma estrela muda. Foi nesse dia, durante o almoço que Domingos a deixou, de repente, vitima de enfarto. Ela não chorou, não demonstrou transtorno, aceitou tudo enquanto os filhos corriam de um lado para outro.

E o silencio penetrou em sua alma como uma teia que  lacra por dentro. Seus olhos tornaram-se foscos, e sua boca murchou atando-se para sempre. Desse dia em diante sua voz nunca mais foi ouvida, nem um grunhido se percebia. Levantava-se bem cedo, banhava-se, comia pouco, e sentava-se na varanda com aparência estática. Não aparentava doença, nem tristeza. Suas tarefas domésticas foram abandonadas, e sua vida resumida a quase nada. Via os filhos entrarem em sua casa, mas não lhes dirigia palavra. Eles aprenderiam a conviver com o silencio dela. Fingia-se surda, o que  tornava mais fácil não ter que lhes responder o que perguntavam, já que não ouvia. Mais tarde passou a fingir cegueira para não ter que demonstrar participação no que acontecia à sua volta. 

Esse estado de ser reconcavada em si mesma, tornou-a isolada ao extremo, mas ao mesmo tempo tinha todo o tempo do mundo para analisar e conhecer bem as pessoas que por ali passavam. Reconheceu a razão do esposo que não gostava do genro, homem fútil que exigia ser chamado de Dr. Marcelo, pois o viu muitas vezes acariciando a bunda da empregada Gina, uma boazuda escandalosa que  propôs  trabalhar por um salário pequeno. Podia fazê-lo diante da sogra cega e surda sem medo de ser apanhado. Coitada de Glorinha – pensava Dalva sem nada demonstrar. A filha dava aulas em duas escolas, e almoçava diariamente com a mãe, sentadas em silêncio na varanda. Temia que o destino de Gloria fosse como o dela.  Muitas vezes ela dormiu com a mãe dizendo que o marido viajara à negócios. Mas que negócios teria um advogadozinho de causas perdidas? Não fosse o garantido salário de Glorinha, concursada no governo do Estado de Minas, o casal viveria penúrias – pensava a mãe emudecida. No fundo sabia que ele estava dormindo com Gina, bem perto dali. 

Nem o frio das tarde de inverno a fazia tremer na varanda da casa. A mulher que já entraria em seus oitenta anos aprendeu a suportar tudo sem alterar a expressão. As lâmpadas queimadas não eram trocadas e a escuridão tornava sombria a varanda ao anoitecer, mas para que luz na varanda de um cego? E às suas cegas vistas tudo se passava. E aos seus surdos ouvidos tudo diziam. Não tinha mágoas nem dores. Sentia saudade de Dona Romilda, do esposo, mas não sentia falta do pai. Sua cabeça pensava muitas coisas durante a permanência na poltrona da varanda. Desejava uma vida melhor para a filha, uma vida boa e feliz como a que tinham Gilberto e Fernanda. Se assim fosse, morreria em paz.

Lembrou-se que um dia seu pai resolveu bem a vida de todos quando a deixou com a vizinha, essa foi uma boa decisão. Agora seria a sua vez de fazer algo pela filha, e tinha que fazê-lo enquanto a moça ainda tinha o viço nos traços para arranjar um marido bom que a fizesse feliz. Não suportava mais vê-la sofrer enganos e maus-tratos do genro pedante.  E assim, num anoitecer qualquer Dalva se aproveitou que ficaria sozinha até bem tarde,  levantou da varanda devagar, caminhou pela rua escura até chegar à casa de Gina. Pode ver através da vidraça o genro aboletado no sofá da saleta, sem camisa e fumando aquele seu cigarro intragável. Viu Gina sair com uma sacola e deduziu que ela iria fazer compras. Entrou sorrateira pela porta dos fundos, apanhou uma faca na cozinha e desferiu diversas facadas no detestável corpo do Dr. Marcelo, repetiu o gesto de maneira enérgica e decidida até vê-lo cair completamente morto. 

Tinha a alma leve e a mente suspensa de pensamentos. Reparou em cada detalhe do ambiente, lavou a faca e guardou-a. Limpou-se em sua própria saia vermelha e voltou a caminhar devagar pela rua escura. Não temia ser presa, ou molestada, sabia que às vezes a alegria vem pelo mesmo caminho que chega a dor. Andou à passos curtos até sua casa. Tomou um banho fresco, queimou suas vestes no balde de alumínio no quintal, jogou os restos no ralo, lavou o balde, e depois se sentou na varanda, como sempre fazia,   ali permanecendo à espera da filha que chegaria depois das aulas noturnas. Ouviu seus passos cansados entrando pelo portão já aberto, sua imagem no escuro a fazia franzina e triste, mas Dalva sabia que tudo mudaria para Glorinha. A filha beijou de leve o rosto da mãe, e sentou-se com ela. Tinha nos braços as pastas de provas as quais ela passaria a noite inteira corrigindo. Nada disseram, apenas permaneceram em silencio, era assim que Gloria compartilhava da presença da mãe. O silêncio na varanda escura cultivado como  joia bem guardada,  foi quebrado pelo estridente toque do celular da moça. Em seguida tomado pela dor. E o choro de Glória que preencheu a casa, invadiu a alma de Dalva provocando na velha senhora um discreto sorrir. Sua última alegria.


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Ric Elias esteve às portas da morte. O medo trouxe-lhe aprendizados:



No dia 15 de janeiro de 2009 às 18:56hs, a notícia que predominava era a do acidente do avião da US Airways:

Avião da US Airways com mais de 150 pessoas a bordo cai no rio Hudson, nos EUA; todas sobrevivem

Do UOL Notícias
Em São Paulo*
Um avião Airbus A-320, da US Airways, caiu no rio Hudson, em Nova York, nos Estados Unidos, cinco minutos depois de decolar. A companhia aérea confirmou que 155 pessoas estavam a bordo, sendo 150 passageiros e cinco tripulantes. Investigadores da Administração Federal da Aviação Civil americana (FAA, na sigla em inglês) e Doug Parker, presidente da US Airways, disseram que o acidente não deixou mortos.

Local do acidente em NY

  • Arte UOL


O voo 1549 partiu de aeroporto de LaGuardia, em Nova York, às 15h11 hora local (18h11 pelo horário de Brasília) com destino a Charlotte, na Carolina do Norte, e caiu pouco depois de decolar.

A queda pode ter sido causada por um ou mais pássaros ou gansos que entraram nas turbinas do avião.

"Todos já estão fora do avião, muitos saíram com seus próprios pés, mas não podemos confirmar se há mortos ou feridos. Tudo o que nos foi comunicado é que todos estão fora do aparelho", disse Laura Brown, porta-voz da FAA.

A US Airways também confirmou que "todos os passageiros saíram do avião". A companhia também disse que irá resistir à qualquer tipo de especulação sobre o fato.

Prefeito e governador de NY comentam o acidente
O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, afirmou em uma entrevista coletiva que algumas pessoas foram levadas a hospitais, mas que todos saíram bem do avião.

"O piloto fez um trabalho ótimo. Agora, vamos fazer todas as investigações das causas do acidente", afirmou, descartando qualquer possibilidade de terrorismo.

O governador de Nova York, David Peterson, também elogiou o piloto. "Hoje, em vez de uma tragédia, ocorreu um milagre no rio Hudson", afirmou.

Relatos de passageiros e testemunhas
O passageiro Alberto Panero falou à rede CNN que o piloto avisou os passageiros que o avião "pousaria" no rio. "Preparem-se para o impacto", teria dito o piloto.

Outro passageiro contou à Reuters que ouviu uma espécie de explosão minutos após a decolagem.

Reuters
passageiros amontoam-se do lado de fora da aeronave à espera de socorro
"O motor explodiu. Havia fogo por todo lado, e o cheiro era de gás", afirmou Jeff Kolodjay, num cais no centro de Manhattan.

"As pessoas estavam todas sangrando. Caímos bem duro na água. Foi assustador", disse.

Alex Whitaker, funcionário da Thomson Reuters que estava numa sala de reuniões no 22o andar do prédio da empresa, na Times Square, viu o acidente. "Vi o avião vindo muito baixo, mas sob controle, e desceu espalhando água. Quando clareou, ainda estava flutuando de barriga para baixo".

O resgate
A aeronave ficou submersa nas águas geladas do rio Hudson até a altura das janelas. Após a queda, os passageiros concentraram-se sobre as asas do avião à espera de resgate.
Até que barcos da polícia chegassem, oito balsas e táxis-barco acudiram em socorro dos passageiros, alguns dos quais já usavam coletes salva-vidas e faziam fila sobre as asas semissubmersas do avião


Ferry-boats que fazem a travessia entre a ilha de Manhattan e o Estado de Nova Jersey desviaram suas rotas para participar do transporte das vítimas.

"As portas se abriram e podíamos ver botes salva-vidas e até mesmo ver algumas pessoas se jogando na água", afirmou Alex Whitaker.

Quem vive nos Estados Unidos e quer obter mais informações pode ligar na US Airways no número 1-800-679-8215 ou entrar no site da companhia.

http://noticias.uol.com.br/ultnot/internacional/2009/01/15/ult1859u598.jhtm - aqui  pode ser visto o video de resgate do avião.


Deste acontecimento os passageiros trouxeram traumas e dores. Mas Ric Elias que ocupava um assento na primeira fila no vôo 1549, aprendeu tres coisas importantissimas. O que passou pela sua mente quando o avião desceu desgovernado? No TED, ele conta sua história ao público pela primeira vez.







terça-feira, 2 de agosto de 2011

Andrea Bocelli



Ele é um clássico crusador e tenor de Ópera. Gravou quatro óperas completas (La bohème, Il trovatore, Werther e Tosca), além de vários álbuns clássicos e populares.

Bocelli tem dois filhos: Amos (nascido em 1995) e Matteo (nascido em 1997). Foi casado, mas está separado da única mulher, Enrica. Bocelli possui glaucoma congênito e já vinha perdendo progressivamente a visão, no entanto, quando tinha doze anos, enquanto jogava futebol, foi atingido na cabeça, e perdeu definitivamente a visão. O ídolo de infância era Eusébio da Silva Ferreira, jogador de futebol português. Quando Andrea Bocelli se tornou famoso, foi Eusébio que o quis conhecer: as posições trocaram-se.

Na infância, Andrea tocava órgão na igreja que se situava próxima à casa, onde ia todos os domingos com a avó. Aos doze anos de idade venceu o prêmio Margherita d'Oro, em Viareggio, com a canção "O Sole Mio", constituindo a primeira vitória numa competição musical.

Depois de trabalhar por um ano como advogado (ele obteve um doutorado em direito na Universidade de Pisa). Andrea teve aulas de canto do maestro Luciano Bettarini, dedicando-se à música em tempo integral.

Bocelli nunca parou o treinamento vocal, atendendo "master classes" com o renomado tenor Franco Corelli, em Turin.

Em 1992, o astro do rock italiano Zucchero Fornaciari testou Andrea enquanto procurava por tenores para fazer um dueto com ele na canção "Miserere"; quando ouviu a gravação, o tenor Luciano Pavarotti implorou a Zucchero para usar Andrea em vez dele mesmo. Enfim, a música foi gravada com Pavarotti, mas Andrea Bocelli acompanhou Zucchero na gira européia.

Em 1994, Andrea apresentou-se no Festival de San Remo (Festival da canção italiana), ganhando o evento com a canção "Il mare calmo della sera", o que levou ao primeiro disco de ouro. No mesmo ano, estreou na ópera Macbeth, de Giuseppe Verdi, com o papel de Macduff, cantou no concerto beneficente de Pavarotti em Modena e apresentou-se para o Papa João Paulo II no Natal.

Em 1995, sua canção "Con te partirò" ficou em primeiro lugar no Festival de San Remo.


Presença internacional

Em 1996, cantou com a soprano inglesa Sarah Brightman uma versão em dueto de "Con te partirò", intitulada "Time to Say Goodbye" ("Hora de Dizer Adeus"), que bateu recordes de vendas e ficou no topo das dez canções mais tocadas no mundo por quase seis meses. Nos anos seguintes, Andrea apresentou-se em Paris, Bologna, Torre del Lago e Vaticano. Lançou mais álbuns até a sua entrada no mercado americano, com um concerto no "John F. Kennedy Center for the Performing Arts" em Washington D.C. e uma recepção na Casa Branca. Naquele ano e em 1999, Andrea partiu em turnê (excursão) pela América do Norte e América do Sul e fez duetos com Celine Dion, além de apresentar-se na primeira ópera totalmente transmitida ao vivo pela Internet da "Detroit Opera House" ("Ópera de Detroit"), com Denyce Graves.

Em 2002, Andrea repetiu a turnê (excursão) pela América, ganhando dois "World Music Awards". Desde então, Andrea continuou a carreira com aparições em concertos no mundo inteiro, cantando inclusive durante o All-Star Weekend da NBA de 2006 em Houston, Texas. Cantou "Because We Believe" ("Porque Nós Acreditamos"), do seu álbum Amore (lançado em 2006), na cerimônia de encerramento das Jogos Olímpicos de Inverno de 2006 em Turim, Itália.

Em 2006, Bocelli trabalhou com os seis finalistas do programa de televisão American Idol, ajudando-os a cantar as canções escolhidas segundo o tema da semana: "classic love songs" (músicas românticas clássicas).
           



Andrea Bocelli e Sandy - Vivo por ella.



Andrea Bocelli - Solamente una vez



Andrea Bocelli - Jura-me.



Andrea Bocelli - Besame mucho

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Porteiro Zé - Para lembrar e rir muito

O episódio do entregador de pizza:



A Dona Valeria ficou presa no elevador:


A entrega da farmácia:


Pietra Neves na portaria, tem que esperar no corredor:



Morador na chuva:



Taxi:

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Echarpes / Sarongues - Use e abuse desses acessórios

Echarpes - 25 maneiras de usar




Sarongues - Muitas maneiras de amarrar

quarta-feira, 13 de julho de 2011

MAIS RESPEITO, EU SOU CRIANÇA - PEDRO BANDEIRA

Esta vasta internet  nos brinda com alguns achados que nos fazem felizes.
Eis aqui Pedro Bandeira declamando sua poesia: Mais respeito, eu sou criança.





Dá um prazer danado conhecer a obra do Pedro Bandeira. E um prazer delicioso em vê-lo declamar.

domingo, 10 de julho de 2011

Benito de Paula - Preludio nº 4 - Para lembrar


BENITO DI PAULA

Uday Veloso ganhou fama nacional com o pseudônimo de Benito Di Paula. Nascido em 1941, em Nova Friburgo, RJ, é um dos grandes nomes da canção nacional dos anos 70. Foi crooner de boates do Rio de Janeiro, e depois continuou tocando na noite paulistana. Iniciou carreira pela gravadora Copacabana no início dos anos 70. Seu estilo musical é conhecido como "samba jóia", ao combinar o samba tradicional com piano e arranjos românticos e jazzisticos. Seu primeiro disco "Benito Di Paula" de 1971, foi censurado por trazer a música "Apesar de Você" de Chico Buarque.

Seu segundo LP, "Ela" também não trouxe grande êxito. Mas estourou nas paradas de sucesso com o terceiro, "Um Novo Samba", onde já aparecia na capa com sua longa barba e cabelos, inúmeras correntes, brincos, pulseiras, etc. O grande sucesso desse disco foi a música "Retalhos de Cetim".

Teve inúmeros sucessos ao longo de sua carreira como "Charlie Brown", "Vai Ficar Na Saudade", "Se Não For Amor", "Amigo do Sol, Amigo da Lua", "Mulher Brasileira". Chegou nos anos 70, a disputar a venda de LPs juntamente com Roberto Carlos, tendo composto muitas músicas para este.







Você chegou tão mansa
Como a madrugada
E eu calei parado
Diante dos seus olhos
Mais lindos que as estrelas
Procurei palavras, versos
E meu mundo para lhe entregar


Você notou que eu
Dei jeito de pegar
Nas suas mãos pequenas,
Lindas, delicadas,
Mas fiquei sem jeito
Dentro do meu peito
Renasceu o amor que estava adormecido


E acordou mansinho
E foi despertando
Ao mesmo tempo em que
Você me olhava
Sorrindo qual criança
Com seu jeito manso
Dando a entender
Que me queria
E eu fiquei perdido
Eu estou perdido
Perdido em seu olhar...


Abaixo Benito Di Paula canta o sucesso Retalhos de Cetim:




Retalhos de Cetim
Benito Di Paula
Composição: Benito di Paula

Ensaiei meu samba o ano inteiro,
Comprei surdo e tamborim.
Gastei tudo em fantasia,
Era só o que eu queria.
E ela jurou desfilar pra mim,

Minha escola estava tão bonita.
Era tudo o que eu queria ver,
Em retalhos de cetim.
Eu dormi o ano inteiro,
E ela jurou desfilar pra mim.

Mas chegou o carnaval,
E ela não desfilou,
Eu chorei na avenida, eu chorei.
Não pensei que mentia a cabrocha,que eu tanto amei.







Ah! Como Eu Amei
Benito Di Paula
Composição: Jota Velloso / Ney Velloso

O amor que eu tenho guardado no peito
Me faz ser alegre, sofrido e carente
AAAHHH!! Como eu amei
Eu sonho, sou verso,
sou terra, sou sol
sentimento aberto
AAAHHH!! Como eu amei
AAAHHH!! Eu caminhei
AAAHHH!! Nao entendi
Eu era feliz, era a vida
Minha espera acabou
Meu corpo cansado e eu mais velho
Meu sorriso sem graça chorou
AAAHHH!! Como eu amei
AAAHHH!! Eu caminhei
Tem dias que eu paro
Me lembro e choro,
Com medo eu reflito que
nao fui perfeito
AAAHHH!! Como eu amei
Eu sonho, sou verso,
sou terra, sou sol
sentimento aberto
AAAHHH!! Como eu amei
AAAHHH!! Eu caminhei
AAAHHH!! Nao entendi
Eu era feliz, era a vida
Minha espera acabou
Meu corpo cansado e eu mais velho
Meu sorriso sem graça chorou
AAAHHH!! Como eu amei
AAAHHH!! Eu caminhei



segunda-feira, 4 de julho de 2011

Parada Orgulho Gay 2011 - São Paulo - Brasil

Domingo dia 26 de junho de 2011 aconteceu a 15ª Parada Gay em Sao Paulo, Brasil.

A programacao contou com outros eventos relacionados:
11ª Feira Cultural LGBT: 23 de junho,  no Vale do Anhangabaú
11º Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade - 24 de junho,  na Academia Paulista de Letras (centro de São Paulo)
11º Gay Day - Experience - 25 de junho, no Playcenter (zona oeste de São Paulo)
9º ciclo de debates - até 6 de julho, em diversos locais e diversos horários.

Ao som da valsa Danubio Azul organizou-se um flash mob de casais que espontaneamente dançaram em meio a multidão, assim deu-se inicio a maior concentracão de homossexuais do mundo, com 16 trios elétricos representando entidades que agitavam a Paulista. As 14 horas foi o horário marcado para inicio,  mas bem mais cedo a avenida já estava movimentada repleta por homossexuais, simpatizantes e curiosos.

A Parada Gay 2011 recebeu em torno de  4 milhoes de pessoas, que mesmo sob fina chuva,   concentraram-se na mais tradicional e importante avenida da cidade de Sao Paulo.  O evento tem sido, a cada ano, um espetáculo para os olhos, alem trazer questões importantes para serem debatidas. 

Em virtude de terem acontecido diversas agressões aos homossexuais no Brasil, este ano a Parada Orgulho Gay trouxe a homofobia como tema mais importante  Amai-vos uns aos outros.  Alguns grupos religiosos,  evangélicos e católicos, marcaram presenca com trio eletrico  enquanto seus integrantes distribuiram panfletos pedindo PAZ: "Para Deus somos todos iguais. Amor não é pecado".

O casal homossexual Feranda Frasao e Baruque, sao casados ha vinte anos e residem em Curitiba, Estado do Parana, mas viajaram  para São Paulo para fazer parte da Parada Gay 2011. Eles consideram importantes as questoes que estão sendo levantadas sobre os direitos ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, e o fim do homofobismo.

Entre drags, homossexuais, lesbicas, e heteros, a Parada Gay mostrou que em 2012 poderá ser ainda maior. As autoridades estão pensando em levar o evento para outro lugar, que seja mais seguro para os participantes. Todas as ruas laterias e proximas do evento foram bloqueadas para evitar acidentes, e 1500 policiais participaram da seguranca.

A multidão em coro, ao som Village People - YMCA, entre outras canções,  cruzou toda a avenida e chegou à Praca Roosevelt as 18:30 horas quando o evento terminou. 


Elis...Elis...Elis Regina.

Os anos passam, a historia se metamorfoseia, os astros vão e vêm, mas uma estrela brilha incansável em nossa memória: Elis Regina.


No programa de Cidinha Campos em 1969:



Video clip apresentado pelo programa da Rede Globo, onde Elis Regina interpreta com sofisticação "O bêbado e a equilibrista".



Você vai ser transportado dentro dos olhos de Elis Regina nesta magnifica e contundente intrepretação de "Como nossos pais".



Eis aqui um delicioso exagêro de sensualidade e beleza: "Me deixas louca"




Atrás da porta", um verdadeiro espetáculo nessa apresentação, quando o que prendia a platéia era a emoção. Emoção que ela emanava sozinha no palco à meia luz. Emoção que fazia até mesmo a Elis chorar.



Tatuagem: Elis e Cesar Camargo Mariano:




Elis no jogo da Verdade em 1982:



Elis nos fez enamorados, apaixonados, revoltados, aguçados. E fazia de maneira quase natural, quando não chorava, ria. E nos trouxe emoçoes até mesmo quando morreu repentinamente.




Saiu rindo desta vida, mostrando os dentes verdadeiros, rindo da dentadura e ditadura. O que restou foi esse eco sonoro da gargalhada mais famosa e emocionante deste Brasil:

Testamento de uma avó



autor desconhecido

Queridos netos,


 
A Vó já não sabe brincar com vocês, porque só sei brincar de passado e vocês só sabem brincar de futuro. E ainda estarei brincando de recordação quando vocês começarem a brincar de esperança.

Mas antes que eu me torne apenas um retracto na parede, uma referência dos meus entes queridos ou até uma lágrima de minha filha, quero lhes dizer uma coisa que considero muito importante para os seus momentos de dúvida.

Porque eles ocorrerão e todos serão preciosos.

Quero lhes dizer, queridos netos, o que vale a pena.


- Vale a pena crescer e estudar.

- Vale a pena conhecer pessoas, ter namorados e namoradas, sofrer ingratidões, chorar algumas decepções e- apesar de tudo isto (ou por causa de tudo isto)- ir renovando todos os dias sua fé na bondade essencial da criatura humana e o seu deslumbramento diante da vida.

- Vale a pena verificar que não há trabalho que não traga recompensa, que não há livro que não traga ensinamento, que os amigos têm mais para dar que os inimigos para tirar, que, se formos bons observadores, aprenderemos tanto com a obra do sábio quanto a vida do ignorante.

- Vale a pena ver que toda a amargura nos deixa reflexão, toda tristeza nos deixa a experiência e toda alegria nos enche a alma de paz.

- Vale a pena casar e ter filhos. Filhos que nos escravizam com seu amor e nos concedem a felicidade de tê-los junto a nós e vê-los crescer. Filhos que, ao crescerem um pouco, já discutem connosco, acham que sabem bem mais que nós ( e às vezes sabem mesmo) e nós aprendemos com eles.

--Vale a pena viver estes assombrosos tempos modernos em que os milagres acontecem ao virar de um botão, em que se pode telefonar da terra para a lua, lançar sondas espaciais, máquinas pensantes, à fronteira de outros mundos. E descobrir que toda essa maravilha tecnológica não consegue, entretanto, atrasar ou adiantar a chegada da primavera.

- Vale a pena viver, mesmo com todas as limitações a que o ser humano está sujeito, quando lembramos que o surdo vê a luz do sol, que o cego ouve a música das coisas, que o mendigo sonha com as estrelas, que não precisamos de todos os sentidos para participar do esplendor da criação.

- Vale a pena mesmo sabendo que vocês verão coisas que eu nunca vi, assim como vejo coisas que meus pais não viram, e meus pais viram coisas que meus avós não viram.

- Vale a pena, certamente- o saber acumulado dos cientistas e especialistas que revelarão coisas que a mim não foram reveladas. Pode ser que vocês conheçam seres vindos de outros planetas, o que para mim é teoria e especulação, assim como a televisão e outras invenções foram teoria e especulação para meus avós já falecidos.

- Vale a pena, mesmo quando vocês descobrirem que tudo isso que estou mencionando é de pouca valia, porque a teoria não substitui a prática e cada um tem de aprender por si mesmo que o fogo queima, que o vinagre amarga, que o espinho fere e que o pessimismo não resolve rigorosamente nada.

- Vale a pena até mesmo envelhecer como eu e ter netos como vocês, que me devolveram a infância e a juventude.

- Vale a pena mesmo que eu parta e suas lembranças de mim se tornem vagas. Mas quando outros disserem coisas boas de seus avós, espero que vocês possam dizer de mim simplesmente isto:

"Minha avó foi aquela que me disse que valia a pena....E não é que ela tinha razão?"

quinta-feira, 30 de junho de 2011

CAÍ NO MUNDO E NÃO SEI COMO VOLTAR - Eduardo Galeano









CAÍ NO MUNDO E NÃO SEI COMO VOLTAR


Eduardo Galeano
Jornalista e escritor uruguaio


O que acontece comigo é que não consigo andar pelo mundo pegando coisas e trocando-as pelo modelo seguinte só por que alguém adicionou uma nova função ou a diminuiu um pouco…

Não faz muito, com minha mulher, lavávamos as fraldas dos filhos, pendurávamos na corda junto com outras roupinhas, passávamos, dobrávamos e as preparávamos para que voltassem a serem sujadas.

E eles, nossos nenês, apenas cresceram e tiveram seus próprios filhos se encarregaram de atirar tudo fora, incluindo as fraldas. Se entregaram, inescrupulosamente, às descartáveis!

Sim, já sei. À nossa geração sempre foi difícil jogar fora. Nem os defeituosos conseguíamos descartar! E, assim, andamos pelas ruas, guardando o muco no lenço de tecido, de bolso.

Nããão! Eu não digo que isto era melhor. O que digo é que, em algum momento, me distraí, caí do mundo e, agora, não sei por onde se volta.

O mais provável é que o de agora esteja bem, isto não discuto. O que acontece é que não consigo trocar os instrumentos musicais uma vez por ano, o celular a cada três meses ou o monitor do computador por todas as novidades.

Guardo os copos descartáveis! Lavo as luvas de látex que eram para usar uma só vez.

Os talheres de plástico convivem com os de aço inoxidável na gaveta dos talheres! É que venho de um tempo em que as coisas eram compradas para toda a vida!

É mais! Se compravam para a vida dos que vinham depois! A gente herdava relógios de parede, jogos de copas, vasilhas e até bacias de louça.

E acontece que em nosso, nem tão longo matrimônio, tivemos mais cozinhas do que as que haviam em todo o bairro em minha infância, e trocamos de refrigerador três vezes.

Nos estão incomodando! Eu descobri! Fazem de propósito! Tudo se lasca, se gasta, se oxida, se quebra ou se consome em pouco tempo para que possamos trocar.

Nada se arruma. O obsoleto é de fábrica.

Aonde estão os sapateiros fazendo meia-solas dos tênis Nike? Alguém viu algum colchoeiro encordoando colchões, casa por casa? Quem arruma as facas elétricas? o afiador ou o eletricista? Haverá teflon para os funileiros ou assentos de aviões para os talabarteiros?

Tudo se joga fora, tudo se descarta e, entretanto, produzimos mais e mais e mais lixo. Outro dia, li que se produziu mais lixo nos últimos 40 anos que em toda a história da humanidade.

Quem tem menos de 30 anos não vai acreditar: quando eu era pequeno, pela minha casa não passava o caminhão que recolhe o lixo! Eu juro! E tenho menos de ... anos! Todos os descartáveis eram orgânicos e iam parar no galinheiro, aos patos ou aos coelhos (e não estou falando do século XVII). Não existia o plástico, nem o nylon. A borracha só víamos nas rodas dos autos e, as que não estavam rodando, as queimávamos na Festa de São João. Os poucos descartáveis que não eram comidos pelos animais, serviam de adubo ou se queimava..

Desse tempo venho eu. E não que tenha sido melhor.... É que não é fácil para uma pobre pessoa, que educaram com "guarde e guarde que alguma vez pode servir para alguma coisa", mudar para o "compre e jogue fora que já vem um novo modelo".

Troca-se de carro a cada 3 anos, no máximo, por que, caso contrário, és um pobretão. Ainda que o carro que tenhas esteja em bom estado... E precisamos viver endividados, eternamente, para pagar o novo!!! Mas... por amor de Deus!

Minha cabeça não resiste tanto. Agora, meus parentes e os filhos de meus amigos não só trocam de celular uma vez por semana, como, além disto, trocam o número, o endereço eletrônico e, até, o endereço real.

E a mim que me prepararam para viver com o mesmo número, a mesma mulher e o mesmo nome (e vá que era um nome para trocar). Me educaram para guardar tudo. Tuuuudo! O que servia e o que não servia. Por que, algum dia, as coisas poderiam voltar a servir.

Acreditávamos em tudo. Sim, já sei, tivemos um grande problema: nunca nos explicaram que coisas poderiam servir e que coisas não. E no afã de guardar (por que éramos de acreditar), guardávamos até o umbigo de nosso primeiro filho, o dente do segundo, os cadernos do jardim de infância e não sei como não guardamos o primeiro cocô.

Como querem que entenda a essa gente que se descarta de seu celular a poucos meses de o comprar? Será que quando as coisas são conseguidas tão facilmente, não se valorizam e se tornam descartáveis com a mesma facilidade com que foram conseguidas?

Em casa tínhamos um móvel com quatro gavetas. A primeira gaveta era para as toalhas de mesa e os panos de prato, a segunda para os talheres e a terceira e a quarta para tudo o que não fosse toalha ou talheres. E guardávamos...

Como guardávamos!! Tuuuudo!!! Guardávamos as tampinhas dos refrescos!! Como, para quê? Fazíamos limpadores de calçadas, para colocar diante da porta para tirar o barro. Dobradas e enganchadas numa corda, se tornavam cortinas para os bares. Ao fim das aulas, lhes tirávamos a cortiça, as martelávamos e as pregávamos em uma tabuinha para fazer instrumentos para a festa de fim de ano da escola.

Tuuudo guardávamos! Enquanto o mundo espremia o cérebro para inventar acendedores descartáveis ao término de seu tempo, inventávamos a recarga para acendedores descartáveis. E as Gillette até partidas ao meio se transformavam em apontadores por todo o tempo escolar. E nossas gavetas guardavam as chavezinhas das latas de sardinhas ou de corned-beef, na possibilidade de que alguma lata viesse sem sua chave.

E as pilhas! As pilhas das primeiras Spica passavam do congelador ao telhado da casa. Por que não sabíamos bem se se devia dar calor ou frio para que durassem um pouco mais. Não nos resignávamos que terminasse sua vida útil, não podíamos acreditar que algo vivesse menos que um jasmim. As coisas não eram descartáveis. Eram guardáveis.

Os jornais!!! Serviam para tudo: para servir de forro para as botas de borracha, para por no piso nos dias de chuva e por sobre todas as coisa para enrolar.

Às vezes sabíamos alguma notícia lendo o jornal tirado de um pedaço de carne!!! E guardávamos o papel de alumínio dos chocolates e dos cigarros para fazer guias de enfeites de natal, e as páginas dos almanaques para fazer quadros, e os conta-gotas dos remédios para algum medicamento que não o trouxesse, e os fósforos usados por que podíamos acender uma boca de fogão (Volcán era a marca de um fogão que funcionava com gás de querosene) desde outra que estivesse acesa, e as caixas de sapatos se transformavam nos primeiros álbuns de fotos e os baralhos se reutilizavam, mesmo que faltasse alguma carta, com a inscrição a mão em um valete de espada que dizia "esta é um 4 de bastos".

As gavetas guardavam pedaços esquerdos de prendedores de roupa e o ganchinho de metal. Ao tempo esperavam somente pedaços direitos que esperavam a sua outra metade, para voltar outra vez a ser um prendedor completo.

Eu sei o que nos acontecia: nos custava muito declarar a morte de nossos objetos. Assim como hoje as novas gerações decidem matá-los tão-logo aparentem deixar de ser úteis, aqueles tempos eram de não se declarar nada morto: nem a Walt Disney!!!

E quando nos venderam sorvetes em copinhos, cuja tampa se convertia em base, e nos disseram: Comam o sorvete e depois joguem o copinho fora, nós dizíamos que sim, mas, imagina que a tirávamos fora!!! As colocávamos a viver na estante dos copos e das taças. As latas de ervilhas e de pêssegos se transformavam em vasos e até telefones. As primeiras garrafas de plástico se transformaram em enfeites de duvidosa beleza. As caixas de ovos se converteram em depósitos de aquarelas, as tampas de garrafões em cinzeiros, as primeiras latas de cerveja em porta-lápis e as cortiças esperaram encontrar-se com uma garrafa.

E me mordo para não fazer um paralelo entre os valores que se descartam e os que preservávamos. Ah!!! Não vou fazer!!!

Morro por dizer que hoje não só os eletrodomésticos são descartáveis; também o matrimônio e até a amizade são descartáveis. Mas não cometerei a imprudência de comparar objetos com pessoas.

Me mordo para não falar da identidade que se vai perdendo, da memória coletiva que se vai descartando, do passado efêmero. Não vou fazer.

Não vou misturar os temas, não vou dizer que ao eterno tornaram caduco e ao caduco fizeram eterno.

Não vou dizer que aos velhos se declara a morte apenas começam a falhar em suas funções, que aos cônjuges se trocam por modelos mais novos, que as pessoas a que lhes falta alguma função se discrimina o que se valoriza aos mais bonitos, com brilhos, com brilhantina no cabelo e glamour.

Esta só é uma crônica que fala de fraldas e de celulares. Do contrário, se misturariam as coisas, teria que pensar seriamente em entregar à bruxa, como parte do pagamento de uma senhora com menos quilômetros e alguma função nova. Mas, como sou lento para transitar este mundo da reposição e corro o risco de que a bruxa me ganhe a mão e seja eu o entregue...

Eduardo Galeano
* Jornalista e escritor uruguaio

terça-feira, 24 de maio de 2011

Ha sensacionalismo em tudo que vejo?







Hoje vi um video no YouTuBe que me fez pensar que qualidade requer construção detalhada de pequenos pontos bem montados. Nós assistimos ao todo e não às partículas. E é o todo que nos encanta, nos fascina. Neste video não há nada por trás dele...nada. Apenas a beleza de sua construção, o toque delicado do dançarino, os trejeitos fascinantes que nos embalam.  Se ha algo que pode ser feito para melhorá-lo?  Há muita coisa que pode ser feita para torná-lo menos amador, mais profissional, mais altivo...mas talvez não o torne melhor, apenas diferente.

Uma pena que o video não esteja completo. Mas é suficiente para aguçar nossa lâmpada crítica, e concluir que o espetáculo vale à pena.


terça-feira, 17 de maio de 2011

ARI BARROSO - O compositor de Aquarela do Brasil

Quando Zé carioca apresenta o Rio de Janeiro ao Pato Donald, sob a riquíssima composição musical de Ari Barrso - Aquarela do Brasil.

Uma carinhosa homenagem à hospitalidade e ao carisma do brasileiro para com o turista.

Esta obra de W. Disney é um clássico do desenho animado que não pode ser apagado de nossas memórias. 




Eis a letra de Ari Barroso para este lisongeio que nos arrepia. Homenagem que fez ao  Brasil lindo e trigueiro:

Aquarela do Brasil
Ary Barroso
Composição : Ary Barroso

Brasil, meu Brasil Brasileiro,
Meu mulato inzoneiro,
Vou cantar-te nos meus versos:
O Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar;
O Brasil do meu amor,
Terra de Nosso Senhor.
Brasil!... Brasil!... Prá mim!... Prá mim!...
Ô, abre a cortina do passado;
Tira a mãe preta do cerrado;
Bota o rei congo no congado.
Deixa cantar de novo o trovador
À merencória à luz da lua
Toda canção do meu amor.
Quero ver essa Dona caminhando
Pelos salões, arrastando
O seu vestido rendado.
Brasil!... Brasil! Prá mim ... Prá mim!...
Brasil, terra boa e gostosa
Da moreninha sestrosa
De olhar indiferente.
O Brasil, verde que dá
Para o mundo admirar.
O Brasil do meu amor,
Terra de Nosso Senhor.
Brasil!... Brasil! Prá mim ... Prá mim!...
Esse coqueiro que dá coco,
Onde eu amarro a minha rede
Nas noites claras de luar.
Ô! Estas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincar.
Ô! Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro,
Terra de samba e pandeiro.
Brasil!... Brasil!


Abaixo um documentário em duas partes sobre Ari Barroso, esse gênio da música brasileira. Passando por Tom Jobin, Caetano, Mario Lago  e outros compositores:






Aqui neste video "Sambando na Gafieira" - 1951:



Ary Barroso,1951, interpreta a música "sambando na Gafieira", de sua autoria. Créditos de excertos de cenas, no final do vídeozinho.
Acervo REM (Rádio Educativa Mensagem).